Mais uma para a caiXa

A Sony não planeia baixar o preço da Ps3 antes do Natal. A notícia pode ser lida no CVG.

Destaco a seguinte pérola-complexo de superioridade-teimosia…

“We have the best line up of any PlayStation generation going into this holiday and consumers will be very receptive to it.” da autoria de Patrick Seybold.

É com este tipo de argumentos que vão convencer alguém a dar 400 euros por uma consola, que até ver, tem um alinhamento de jogos exclusivos (e algo mais) aquém do esperado?
Não que seja mau, mais adiante explico-me, mas a Sony parece esquecer-se de que agora há concorrência com números sólidos. Um argumento destes não serve, quando no mercado existem outras alternativas viáveis. A Ps3 até pode ter o melhor hardware (ideal para esta geração?) mas o seu nível, e quando falo em nível, refiro-me à parte mais prática de ter uma consola, jogos, não tem justificado o custo elevado, comparativamente a uma 360. A principal concorrente pelo nível apresentado. Agora que a consola da Microsoft tem um preço bem mais apelativo para o consumidor e o exclusivo (já são poucos) Gears of War 2 como grande atractivo natalício, tem mais que condições para conquistar novos públicos. Sobre novos segmentos do mercado, acho que a Wii, inferiorizada no que a software diz respeito, continua a sair-se muito bem.
Continuando, acho muito bem que a Sony esteja confiante com o jogo Little Big Planet. É uma lufada de ar fresco nesta geração e, parece que desta vez, não controlamos uma besta da guerra com armas a dar pelo joelho num qualquer ambiente futurista. Se resulta? Para o público casual estou certo que sim. A Sony teve grande mérito em chamar novos públicos ao mundo das consolas. Jogos como Singstar ou Buzz mudaram a perspectiva de olhar um jogo. Falo de incluir ao invés de isolar e embrutecer. Esta aposta no público casual tem sido tão segura que o modelo de entretenimento já anda a ser copiado pela concorrência. Nada de novo (fica por saber como será com o Home).
Porém, há o público hardcore. O público que, como nenhum outro, move a indústria. E se este ano esse público já foi brindado com o excelente Metal Gear Solid 4, com o natal chega-lhes pouca escolha. Resistance 2? Talvez…mas é muito pouco. E é aqui que entram os jogos multiplataformas. A 360 continua a ser a preferida para os programadores (talvez pensem que muitos dos possuidores da Ps3 não sejam necessariamente jogadores em primeiro plano. Com dark knight em blu-ray ficaremos a perceber melhor…) e como tal, para Ps3, os jogos multiplataformas serão sempre ports. Outrora bastante problemáticos, penso que a situação mudou muito neste último meio ano, mas a desconfiança não se desfaz num simples estalar de dedos. Há sempre a assombração de o jogo conter uma série de erros técnicos. Por isso mesmo, não há nada que garanta mais confiança e satisfação ao jogador, do que um jogo criado de raiz para a sua consola. Neste aspecto, a Sony só pode andar a comer gelados com a testa. São poucos e poucos os que justifiquem todo o aparato criado à volta da consola. Se juntarmos a isto, o preço elevado, temos ingredientes para um hesitante último trimestre do ano. Não é que exista um fio lógico por detrás de tudo isto. Lembro-me de uma situação passada, mas ainda fresca na memória. A Gamecube, que contava com alguns bons exclusivos, baixou várias vezes de preço e não conseguiu incomodar o império da Ps2 (a falta de retro compatibilidade com a Ps3 foi um passo em falso por dar ao jogador Sony um sentimento de descontinuidade). Contudo é básico pensar-se que quanto mais barato for um produto, mais chances este tem de ser vendido. Assim, é bem mais provável que um pai, em época de oferecer presentes, opte por uma consola com um preço mais justo associado ao contexto actual. Quem se atreve a detrair o seu comportamento?

~ por The Inner em Outubro 8, 2008.

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