Análise a X-Men Origins: Wolverine Uncaged Edition

Review do jogo X-Men Origins: Wolverine que podem encontrar publicada no site LusoGamer.

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Adaptações de licenças cinematográficas aos parâmetros dos videojogos…
Anos a fio de experiências pouco satisfatórias, deixaram até os fãs mais acérrimos cobertos de cepticismo na hora de encarar a adaptação. Contudo, conforme já foi dito na antevisão, a produtora Raven Software estava apostada em desenvolver um trabalho que não merecia a apatia como resultado. A equipa de produção, fã de Wolverine, prometeu um jogo de valor. Estaremos finalmente na presença de uma adaptação de valor? A resposta está guardada para o final da análise…
Comecemos por uma breve apresentação, X-Men Origins: Wolverine é um jogo de acção, na 3ª pessoa, adaptado do homónimo filme que, por sua vez, é baseado no universo de uma das mais carismáticas personagens da banda desenhada: Wolverine. A aventura, inspirada numa fase emocionalmente complicada de Wolverine, desencadeia violência a rodos e serve-a, às postas, de bandeja. Razões tinham os produtores quando disseram que algumas cenas de acção exploravam ao máximo a ferocidade do herói. Ainda a conhecer-se, Wolverine não teme ou treme na hora de mostrar as afiadas garras de adamantium. A violência alimenta a aventura, e estou certo que deixaria Wolverine, o do filme para maiores de 13 anos, de boca aberta. Sim, ao contrário do filme que não abusa da brutalidade, a Raven Software fá-lo, várias vezes, deixando perceber que não há qualquer remorso por tomar esse caminho. Logan, mais conhecido por Wolverine, apresenta-se num estado selvático tal, que as suas garras oferecem alguns dos ataques mais brutais vistos nos ecrãs. Alguns movimentos finais passam por desmembrar soldados, apunhalar inimigos nas partes baixas, degolar cabeças, dividir um inimigo em três partes com as aclamadas garras, forçar a quebra de ossos, ou espetar as garras no abdómen do inimigo e de seguida atirá-lo para fora de combate. Os cenários também oferecem algumas cortesias ao herói da Marvel. Dificilmente passam despercebidos ao jogador, aliás, os pontos de interacção do cenário perdem alguma consistência por se apresentarem como uma arma bastante gratuita. Torna-se óbvio que uma estaca, saída do solo, se encontra ali propositadamente para coçar as costas do inimigo.
O melhor de tudo isto é que as acções viscerais de Wolverine são muito simples de executar. Basta uma pequena familiaridade com os comandos para se começar a sujar de sangue as brilhantes garras de Wolverine. Ataques leves, fortes, bloqueios e saltos (lunge) estão reservados a cada um dos quatro botões principais. O uso pode ser feito de modo mais metódico, com o jogador a combinar acções que aprende ao longo da aventura, ou com o velhinho, mas ainda assim eficaz, matraqueamento de botões. Em meros minutos, Logan esvazia uma sala cheia de inimigos. O nosso herói consegue ainda aceder a ataques mais poderosos quando a barra de Rage (raiva) se encontra completa. A gestão deste curto e devastador período de tempo é importante para garantir maior dano nos adversários. Wolverine passa a dispor de quatro ataques especiais. Aconselha-se que não o incomodem nestas alturas de maior descontrolo. Voltar a casa com uns arranhões já deixou muito boa gente a viver só.

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X-Men Origins Wolverine aposta em processos simples, mas que funcionam bem. Algo que já tínhamos visto noutros jogos de acção: elementos de progressão característicos dos jogos RPG. Ao eliminar inimigos, somamos pontos de experiência que podem ser gastos para melhorar a resistência, a força dos seus golpes ou até os ataques especiais de raiva enquadrados num certo estilo de estratégia.
O mesmo serve para nos referirmos a outra habilidade de Wolverine: o salto que pretende ser um voo mortal (lunge). Quando os inimigos estão demasiado distantes para serem agraciados com o excelente combate próximo, Wolverine pode aproximar-se destes com o movimento “lunge”. Ainda durante o voo, se o jogador aceder ao botão de ataque acontece uma transição suave para um movimento insano que deixa o inimigo imediatamente prostrado. São os movimentos fatais que derrotam um inimigo num único movimento (quick kill) e podem ser accionados quando as garras de Wolverine brilham intensamente.

X-Men Origins: Wolverine ao dar ao jogador uma personagem poderosa, faz aquilo que se espera de um videojogo sobre super-heróis. Durante a aventura, os poderes de Wolverine não encontram rival à altura. A capacidade de regeneração permite que o jogador veja os danos causados e a consequente recuperação em tempo real. O corpo de Wolverine foi modelado em três camadas: pele, tecidos e estrutura óssea em adamantium. Uma carta flamejante atirada por Gambit, descobre, na zona afectada, o esqueleto em adamantium de Wolverine. Segue-se a recuperação, em tempo real, com a pele e tecidos a cobrirem as marcas de guerra. Existem duas barras de vitalidade. A primeira corresponde aos danos causados no aspecto exterior de Wolverine e a segunda aos danos causados nos órgãos vitais que é determinante para a queda do herói. Se a primeira, que é uma espécie de armadura, for afectada, a segunda expõe momentaneamente a fragilidade do herói. Dado curioso, as calças do herói permanecem sempre intactas, mas se a camisola for queimada durante os combates, não mais voltará a revestir o herói.
A capacidade de regeneração foi uma importante adicção. No entanto, o sistema de regeneração em tempo real não apresenta o entusiasmo esperado. Os tecidos de Wolverine, quando expostos, roçam o irrealismo por se parecem demasiado gelatinosos. Mesmo a pele, quando cobre os tecidos, mais se assemelha a uma camada plastificada.
Ora se a tal característica regeneradora juntarmos a fúria descontrolada e os instintos ferozes, temos em mãos, apesar dos 3 níveis de dificuldades (hard escondido inicialmente), um herói praticamente indestrutível. Os bosses não chegam a ser verdadeiras ameaças à vitalidade do herói. É desapontante ver que os combates com bosses, normalmente arrastados, são bastante mecânicos e parcos em intensidade. W.E.N.D.I.G.O. ou Sentinela requerem apenas uma boa dose de paciência e não propriamente astúcia. É que para derrotar estes dois canastrões, que aparecem ao longo do jogo, basta atacá-los impiedosamente pelas costas. E o combate, devo dizer, deixa uma sensação amarga. Para além da câmara, em certas partes do combate, querer ser protagonista, não há um real sentido de dano infligido no gigante.
A jogabilidade é intercalada por alguns puzzles e exploração. As secções de puzzles variam entre os mais estandardizados, em que na maior parte das vezes temos de mover objectos, ou puzzles que exploram as características de Wolverine, bem mais interessantes que os primeiros. Em caso de dúvida, o jogador pode accionar “feral senses” (sentidos animalescos) que ajudam Wolverine a navegar pelo cenário ou a resolver um puzzle. Objectos chave aparecem sobressaídos, com a tonalidade avermelhada em caso de perigosos, ou em tons verde, na medida de poderem ser úteis. Os “feral senses” podem também indicar o caminho a seguir, para que o jogador nunca fique bloqueado.

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A divisão entre secções de combate e exploração não se apresenta aqui tão bem sucedida como noutros jogos de acção. Tomando God of War e Devil May Cry como exemplo, essas séries conseguiam combinar frenéticos combates e épicos bosses, com momentos mais calmos de exploração ou resolução de puzzles. Ainda que o jogador inconscientemente estivesse a repetir os mesmos processos, havia efectivamente a sensação do jogador estar a fazer algo de novo. Assim chegamos ao que provavelmente é o maior problema de X-Men Origins: Wolverine: naquilo que faz bem, podia fazer bem melhor. Durante as 8 a 10 horas de aventura, fica claro que a experiência não resiste ao teste do tempo e torna-se repetitiva. Depois de poucas horas de jogo, percebemos que a capacidade de surpreender escasseia e que os níveis apresentam-se como arenas cobertas com fraca variedade de carne para Wolverine desdenhar.
Já na história, a Raven percebeu que era importante variar, porque o jogo salta entre duas histórias. Uma, naturalmente, baseada nos acontecimentos do filme, em que Wolverine procura vingança junto dos responsáveis pelas experiências científicas que lhe revestiram o esqueleto em adamantium. A outra, apresentada em jeito de flashback, coloca Logan numa missão militar em África a cooperar com Victor Creed, o eterno arqui-inimigo também conhecido por Sabretooth. Os saltos da narrativa no tempo apresentam pouca coerência, maior ainda para quem não viu o filme, e deixam algumas perguntas por responder. O jogador nunca recebe a tempo uma explicação pela forma como aconteceu a colaboração com Victor Creed ou a forma como esta termina. Só a meio do percurso, é que surgem pistas sobre as razões que levam Wolverine a chacinar soldados atrás de soldados, o motivo pelo qual os membros da Equipa X atacam Wolverine ou a relação pouco esclarecedora de Wolverine com o Coronel William Stryker. A forma como ocorre a introdução de novas personagens na aventura, ou mesmo quando saem de cena, deixam espaços que nem a acção devastadoramente visceral consegue preencher.
Do visual, a correr no motor de jogo Unreal 3, pode-se dizer que está bem conseguido. Alguns cenários são percorridos, de modo linear, mais do que uma vez, o que denota alguma falta de variedade. A caracterização oferece autenticidade. Hugh Jackman, enquanto Wolverine, está tremendo. E nem sempre podemos dizer isto, recordo-me da recente e desastrosa recriação digital de Robert Downey Jr. na adaptação de Iron Man. Os movimentos de Wolverine foram capturados em grande estilo graças a um soberbo trabalho de animação. O bom sistema de iluminação aclara, aqui ou ali, alguma falta de polimento, alguns slowdowns encravam a velocidade da acção, mas no geral, o resultado é agradável e positivo, fazendo de X-men Origins: Wolverine um dos melhores jogos de super-heróis no capítulo visual.
A nível sonoro, não há nada de particularmente marcante. Os sons de fundo cumprem sem elevar exigências. No entanto, há que dar relevância às performances dos actores que estão irrepreensíveis. Hugh Jackman e Liev Schreiber acentuam a ideia de serem dois grandes actores, mas mesmo a agonia dos desconhecidos civis está realista ao ponto de fazer o jogador reflectir num acto mais violento.
A campanha alonga-se por cerca de dez horas e deixa poucos pretextos para uma nova visita, para além de ser jogada na dificuldade mais elevada ou de Wolverine estrear um novo fato, mediante as recolhas de troféus espalhados pelo jogo.

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Para terminar, X-Men Origins: Wolverine Uncaged Edition marca precedentes nos parâmetros da violência. Alguma desta surpreende nas primeiras horas de jogo, mas não escapa à tentação de seguir pela direcção do lugar comum. Não chega, contudo, para beliscar o mérito de ser uma das poucas adaptações cinematográficas de valor. Podem afastar os receios. X-Men Origins: Wolverine, mesmo com algumas falhas que acreditamos deverem-se à preocupação da data de lançamento coincidir com a do filme, afasta alguns preconceitos e diverte qual blocbuster de cinema. Wolverine não é nenhum portento técnico, mas oferece entretenimento que não vão querer parar até verem os créditos finais.

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“Análise num minuto”:

- Toneladas de litros de sangue equivalentes às doses de entretenimento. Um dos títulos mais violentos de que há memória.

- Embora não se transcenda em nenhum capítulo, não afasta a ideia de ser das poucas adaptações cinematográficas capazes.

- Jogo aconselhado mais aos fãs da icónica personagem de banda desenhada, aos restantes está garantida uma aventura que cumpre, sem evitar alguma repetição, que se deve em grande parte à má gestão de secções de puzzles (desinspirados) e combate (bom).

Gráficos: 7
Jogabilidade: 8
Som: 6,5
Longevidade: 6

Total: 7,5

Nuno Pinho.

~ por The Inner em Maio 20, 2009.

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