Teste a Monsters vs Aliens
Review a Monstros vs Aliens

“Que idade tem?
15 anos? Pode entrar, mas garanto-lhe que se tivesse menos de 15 anos, era capaz de ficar convencido com a experiência que se segue.”
Este poderia ser o aviso dado pelo General W.R. Monger na introdução do jogo, baseado no filme de animação da DreamWorks, Monsters Vs Aliens. O filme teve a estreia, em fim-de-semana, mais rentável do ano para os lados de Hollywood, e pode ser visto, com óculos 3D, nos cinemas portugueses já a partir de amanhã (dia 2 de Abril).
A premissa não apresenta nada que já não se tenha visto anteriormente. Os aliens estão a atacar o planeta Terra e os monstros, aqui como bons da fita, tentam evitar uma eminente destruição. É um tema que se apresenta gasto, sobretudo nos meandros da ficção científica. Contudo, as vozes famosas e a animação em 3D, podem garantir umas quantas visitas aos cinemas.
Como devem imaginar, à hora que escrevo esta análise, não tive oportunidade de ver o filme e tenho de partir do pressuposto que o jogo pega nas cenas que fizeram furor no grande ecrã. A batalha dos monstros, até então escondidos da sociedade pela administração americana, com a armada alienígena toma proporções gigantescas. O jogo reúne as invulgares tropas e deixa-as ao dispor do jogador.
Elo Perdido (The Missing Link), espécie que ficou perdida na improvável fronteira entre se tornar um macaco ou um peixe. Ginórmica, outrora chamada de Susan Murphy, que, depois de ter sido atingida por um meteoro viscoso, passou a ter mais 14 metros e 28 centímetros!
O gelatinoso B.O.B., pronto a deixar um rasto viscoso por onde passa. Insectosaurus, a larva gigante que sempre que grita, faz, literalmente, tremer paredes. E, por fim, o brilhante professor Dr. Barata (Cockroach) que pode ser encarnado por um segundo jogador a qualquer momento.
O design dos níveis teve em conta as particularidades apresentadas por cada personagem que compõe a equipa de heróis improváveis. Ginórmica dá mais velocidade ao jogo sempre que recorre a carros com a finalidade de patins de rodas. Tudo funciona de modo bastante linear e com o jogador a pôr à prova os seus reflexos. Linear é, de resto, a palavra correcta para descrever a estrutura dos níveis de Monsters vs Aliens. Pelas estradas de San Francisco, procuramos fugir dos obstáculos, evitar as quebras no asfalto e até fazer autênticas provas de equilíbrio, ao melhor jeito de Tony Hawk, nos rails que sobrevivem à destruição promovida pelos robots alienígenas.

Devo dizer que, apesar de Ginórmica ser uma mulher gigante, os níveis não conseguiram captar essa sensação de grandeza. É estranho ver que a cidade se agiganta com a presença da Ginórmica. À nossa volta, parece que temos planícies, estradas, edifícios e pontes em tamanho ampliado.
Por sua vez, B.O.B. apresenta alguns dos momentos mais interessantes do jogo. Em boa parte deve-se aos seus poderes peculiares. Se não me falha a memória, esta foi a primeira vez que comandei uma personagem gelatinosa com a capacidade de engolir e cuspir objectos, colar-se a paredes, passar através de portões e até atirar para a atmosfera uns barulhos estranhos. B.O.B., dada a sua forma, pode rastejar de cabeça para o chão. Esta personagem pode engolir, se for caso disso, soldados inimigos. O mais engraçado é que os vemos dentro de B.O.B., uma vez que esta personagem é transparente.
Elo Perdido (The Missing Link) apresenta os níveis que mais se aproximam de um típico jogo de acção de plataformas. A força bruta e agilidade permitem a esta personagem roubar alguns maneirismos de Kratos. Os quick-time-events e as sequências finais, são, no entanto, uma pálida imagem da presumível fonte de inspiração.
Sobre as restantes personagens, Insectosaurus e Dr. Barata (Cockroach) não se pode dizer que foram tão bem implementados e chegam a dar ideia que estão apenas a preencher vagas. Insectosaurus, monstro não jogável, assemelha-se a uma versão desmiolada de Godzilla que apenas dá um ar de sua graça nas sequências animadas. O Dr.Barata tem a função de orientar da missão e é representado por um mero laser. O Dr.Barata está sempre disponível para dar conselhos, mas não é um apelo justificável para o segundo jogador se alistar no combate.

Se o início, auxiliado por várias janelas tutoriais, ainda se apresenta como uma experiência variada e refrescante, não tarda muito até sentirmos fastio ao longo dos quatro capítulos. Depois do factor surpresa, a jogabilidade resume-se a baralhar e dar de novo. Monsters vs Aliens alonga-se por cerca de oito horas e traz consigo mais de 20 missões no modo “Story”. As moléculas de ADN espalhadas pelo jogo, juntamente com os mais de 30 mini-jogos (sobretudo time trials) permitem desbloquear arte conceptual, comentários áudio, fotografias do filme e upgrades nas armas dos monstros. Cabe a cada um dizer se valerá a pena completar tudo no jogo, o que implica repetições, para desbloquear os extras.
O visual representa bem o filme que, de certa forma, homenageia a estética dos filmes de ficção científica dos anos 50 ou 60. Contudo não esperam animações CGI extraídas do filme, pois as sequências de animação utilizam o mesmo motor gráfico do jogo. E embora tudo se possa resumir à mediania, as coisas mudam de figura, ao longo do jogo, para melhor. Só percebemos tal quando entramos na nave-base da armada de Gallaxhar.
As vozes estão entregues a alguns actores ligados ao filme. Seth Rogen como B.O.B., Reese Witherspoon como Ginórmica e Will Arnett como Elo Perdido. Infelizmente, a versão videojogável do Dr.Barata não teve o contributo vocal de Hugh “Dr. House” Laurie. No capítulo sonoro cumpre com o tipo de sons que se imaginavam tendo em conta a temática explorada. Os barulhos dos robots e os pequenos efeitos pintam bem a atmosfera digna de um filme de ficção científica.
Monsters vs Aliens é um título com argumentos suficientes para acertar em cheio nos públicos mais jovens. Os trejeitos e maneirismos de cada herói monstruoso, marcam presença. Este jogo de acção e plataformas pode ser o aperitivo perfeito para todos aqueles que aguardam com ansiedade pelo filme. Não salva o dia, mas entretém.
Gráficos: 6
Jogabilidade: 6,5
Som: 7
Duração: 6
Total: 6,5
Nuno Pinho.

muito bom
muito bom, tenho 6 anos de idade e gosto muito. Um abraço